Um homem diferenciado. Esse termo descrevia bem Rogério Dantas. Quem quer que fosse falar dele sempre se servia de palavras positivas e elogiosas. Era unanimidade. Um ser humano de espiritualidade admirável, que se voltou para a formação moral e religiosa da juventude. De uma simplicidade sem igual, generoso, dedicado, parceiro. Bom filho, bom pai, bom esposo e amigo. Sua partida precoce, aos 47 anos, comoveu centenas de corações baianos. Seu pai, o profissional de marketing Raymundo Dantas, mesmo tomado pela dolorosa perda, descreveu a inesperada despedida com propriedade: “Seu plano era largar tudo, para se tornar missionário. Mas o Chefe, lá em cima, deu por encerrado seu trabalho, por conquistadas as suas metas”.

Rogério era casado com Ivete Dantas. Foram 23 anos de uma união sólida, pautada no amor, na cumplicidade e na lealdade, que gerou dois frutos, Raphael e Nathalia. Ao falar do ex-companheiro de vida, o riso discreto e sereno de Ivete contrasta com a tristeza no olhar. Na descrição dela, Rogério era uma pessoa ímpar, que estava a todo tempo disponível para ajudar. Era querido por todos, tanto no ambiente pessoal quanto no profissional, porque ele sempre olhava o ser humano que estava por trás do papel social dos indivíduos. Não importava o cargo, religião ou posição social, Rogério tratava todos com a mesma delicadeza e atenção. Por isso aquele homem de sorriso largo era tão admirado. Quando adoeceu, membros da Paróquia Nossa Senhora da Luz e os amigos da Nós Publicidade e do Movimento Escalada se mobilizaram em uma campanha para ajudar a família. Era o reflexo do bem que ele fazia às pessoas ao ser redor.

Quando nasceu a ideia de criar o Anuário de Arquitetura e Decoração da Bahia, lá em 2003, Rogério havia acabado de deixar o Núcleo de Decoração da Bahia (NDB), do qual fora presidente, e foi convidado por Enio Carvalho, para participar do projeto. Rogério tinha expertise, estava no segmento desde 1998, quando gerenciou a franquia de móveis planejados Florense. O A|D seria uma publicação pioneira, que supriria uma lacuna, criando um canal de comunicação no mercado de decoração. Como tinha muita penetração nesse mercado, se transformou em um facilitador das vendas do primeiro A|D. Sua cooperação foi crucial, para a consolidação do produto e reconhecimento do público. E sua atuação só não se prorrogou no tempo, porque assumiu um novo desafio, inaugurar a LAMINATTO, da qual foi sócio e diretor.

Rogério era integrante do Escalada, movimento da igreja católica. O grupo é composto por jovens e adultos participantes do Encontro Escalada, uma espécie de retiro, após o qual as pessoas passam a atuar em ações de caridade e outras ligadas ao movimento. Fazia parte também do Grupo OPA (Oração Pela Arte). O seu lado religioso era tão forte, que seus últimos dias nesse plano foram de muita serenidade. Emocionada, Ivete conta que ele tinha consciência e aceitava com muita tranquilidade que seu momento estava próximo, que ele havia cumprido sua missão e lhe restava pouco tempo. A alma de Rogério era tão evoluída, que ele passou a consolar todos ao seu redor, com a mesma fé e tranquilidade que o perseguiram durante toda sua existência.

Para o pai, Rmundo, ter Rogério como filho foi uma honra, uma graça. “Perdê-lo, foi a dor maior que enfrentei na vida. Mas sei que ele permanece comigo e está junto a todos os amigos que conquistou. E não apenas nas nossas memórias e nos nossos corações, mas acredito que nos acompanhará sempre, inspirando-nos a viver fraternalmente e a dar prosseguimento à construção de um mundo mais conforme o amor, que ele ajudava a semear, cuidar e fazer florescer”. E é esse sentimento, compartilhado também por sua mãe, Maria Lídia Vieira, sempre muito presente em sua vida, que ameniza um pouco do vazio instalado desde o dia 17 de julho. A certeza de que, embora não esteja mais aqui em matéria, Rogério permanecerá vivo nas suas ações e atitudes, perpetuando o bem.