Horizontal, vertical ou oblíqua. Pode ir ou vir de qualquer lado. Às vezes é demais, por vezes de menos. Motiva, impulsiona, derruba. Também pode mover massas colossais. Tem o poder de revolucionar tudo e todos; mas, assim como um rio longo e caudaloso que nasce num simplório olho d`água, também ela pode nascer em um olhar, um sorriso, mas só ganhará curso com a palavra. Palavras ditas em conjuntos abertos ou fechados seguem margeadas, como um afluente tomando sentido, traçando cursos, descendo as entranhas do permeável, até muitas vezes o limite do inconfessável, podendo também elevar-se ao intangível, de onde se crê venha a luz que os olhos não veem. Mas a inteligência capta, o coração decodifica e a alma assimila, abrindo-se ou fechando-se para o que bater à porta. Assim é a comunicação.
A cada instante estamos inventando eras: era da comunicação, era da informação, era da tecnologia, era disso e daquilo, mas o certo é que estamos vivendo a era mais “socrática” de todos os tempos. Embora já em seu tempo (470 – 399 a.C), com Atenas vivendo um grande esplendor de florescente democracia, Sócrates acreditasse que ninguém tinha respostas definitivas para seus questionamentos, que contrariavam as doutrinas dos antecessores, defendia o filósofo que, antes da natureza, do mundo e do universo, o que efetivamente afeta o comportamento humano com grande importância é saber o que é bom, o que é certo, o que é justo e o modo como esses afluentes comportamentais e culturais influem na conduta correta da formação desse grande rio que é o ser humano.
Como diz Antonio Carlos Oliveira – escritor, jornalista e diretor da Página 3 Pedagogia e Comunicação – Sócrates permaneceu em Atenas não só questionando a moralidade e a política a todos os que se reuniam a sua volta, mas também lançando novas questões a cada resposta e assim estimulando discussões como “Porteiro de Ideias”, título com o qual se autocognominou. Com essa postura questionadora, acabou por expor a ignorância de indivíduos com poder e autoridade, sendo tomado como importuno subversivo pela má influência de suas ideias e, por fim, uma pessoa mal-vista , vindo a ser preso sob acusação de corruptor da juventude e questionador dos Deuses da Cidade, e a ser condenado a morrer por envenenamento, não sem antes ter o direito de negar seus ensinamentos para se defender. Sócrates, porém, diz que não tem ensinamentos, mas perguntas a fazer, vez que entendia ser a corrupção da alma a maior catástrofe que poderia ocorrer contra a integridade do ser humano.
Sócrates optou pela condenação e morte por envenenamento com cicuta a contradizer-se ou a ter de negar suas ideias. Qualquer semelhança com os anseios de se criar leis para a não comunicação, anti-imprensa, etc, etc, é pura coincidência.
A comunicação, o momento e a hora estavam certos; mas o poder, equivocado. Parafraseando um exemplo citado pelo jornalista mencionado anteriormente, sobre JESUS CRISTO : “De que vale um homem ganhar o mundo todo se perder sua alma?”.